Chega a noite escura com lembranças.
Breu de Lua aveludada.
De sonhos...
De esperanças...
Foram breves andanças
Que me levaram a querer
Não mais viver de sina traçada.
Madrugadas passadas dormidas ao relento
Acordando com o uivo do comboio
Com o gritar da varina.
Por breve lamento de dor ao meu vento
Nasce o sol de entre nuvens chuvosas
Cinzentas, escuras...
Resumidamente chorosas!
Na noite Lisboa de negras sombras
As ruelas onde dormes ecoam o teu nome
O Tejo que reflete o teu olhar entristecido
Embravece...
A ondulação chora a tua aventura
Tão...
Crua!
O vento quer,
Tanto deseja e requer
Que te rouba a última ternura.
Vou pela rua desta amargura
Deito-me em pedra fria e dura
Vou por Lisboa
Da Madragoa ao Rossio
Por estar apaixonado pela Liberdade
Eu sorrio!
Sigo em frente pela Praça enamorada
No meu coração, dor entrelaçada.
Na minha alma um vazio crescente...
Uma gaivota que derrota a maré
Envolta de água...
Somente.
Eu sei e para sempre chorarei.
Porquê?
Porque eu vivo assim...
Sozinho em mim.
Nesta rua
Tão quente da Lua.
E lá do alto cá para o Tejo
Vivo em sobressalto com esta sentença
Esta vontade que me atormenta...
Foste beijado pela solidão
Atacou-te a alma e o coração.
Vagabundo porque o sentes,
Olhas para o céu e nunca mentes
O teu fado assim ditou
O teu tormento.
A tua fome nunca o pediu.
A roupa que te envolve tornou-se roliça.
A garrafa que te acompanha desbravou a tua sina
Que de vazia,
Sobrou apenas cortiça.
A tua vida,
Levada a cabo pelo sonho destroçado
Já nada conquista
Porque, por mero acaso decidiste
Nunca, jamais,
Voltar a ser amado.
Susana Rocha

9 comentários:
Dedicada ao Pedro Mendonça pela amizade.
Dedicada ao Aramis pela ideia e por ser assim maluco.
Dedicada à Joana por todo o apoio.
Dedicada ao Tiago por ser um chato como crítico literário.
Dedicada ao Paolo por gostar do que escrevo apesar de esta minha "Primeira Vaga" não estar adaptada ao meu género.
Dedicada à Bruna pela crítica inicial.
Dedicada a todos vocês que a leram e que por isso perderam um pouquinho do vosso tempo com este devaneio.
sem palavras...
brutal!! :O
Não passa da minha opinião mas acho que essa crítica inicial te levou a um texto/poema/letra mais livre, com muito mais impacto, muito mais... brutal!! Deixaste de te preocupar com rimas (que ficavam com um "ar" forçado) e escreveste o que te ia na alma, ficou mais puro de sentimento, mais real de conteúdo!!
Aquele beijinho kutchi ;)
ahh e claro, obrigada pela dedicatória :)
WOW!! qué isso shuzana?! Pegando um pouco no que disse a lunni (que diga-se assim de passagem é uma miuda linda e maravilhosa!!), quando um texto sai sentido, sai de dentro sem preocupação se rima ou não, fica muito mais de acordo com o nosso estilo literário pessoal. As palavras ditas com o sentimento são obviamente palavras sentidas, nem todo o poema tem de rimar, pois quando nas palavras se nota alguma mensagem, cá dentro o nosso subconsciente faz com que tudo rime!
e quando se pensava que nao poderia sair outro ainda melhor...
nunca deixas de nos surpreender.
keep it up!!!
simplesmente...divinal! cutxi cutxi, afilhada linda! Deixa-me dizer que ja adivinhara este teu dom, e agora é dar-lhe asas... Bjs do padrinho****
Perfeito não chega... ;)
adorei!!!
perdoa a falta d palavras... s bem k tu já dissest td o k era essencial =D
bjinho e obg!!!
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