14 março, 2007

Primeira vaga


Chega a noite escura com lembranças.

Breu de Lua aveludada.

De sonhos...

De esperanças...

Foram breves andanças

Que me levaram a querer

Não mais viver de sina traçada.

Madrugadas passadas dormidas ao relento

Acordando com o uivo do comboio

Com o gritar da varina.

Por breve lamento de dor ao meu vento

Nasce o sol de entre nuvens chuvosas

Cinzentas, escuras...

Resumidamente chorosas!


Na noite Lisboa de negras sombras

As ruelas onde dormes ecoam o teu nome

O Tejo que reflete o teu olhar entristecido

Embravece...

A ondulação chora a tua aventura

Tão...

Crua!

O vento quer,

Tanto deseja e requer

Que te rouba a última ternura.


Vou pela rua desta amargura

Deito-me em pedra fria e dura

Vou por Lisboa

Da Madragoa ao Rossio

Por estar apaixonado pela Liberdade

Eu sorrio!

Sigo em frente pela Praça enamorada

No meu coração, dor entrelaçada.

Na minha alma um vazio crescente...

Uma gaivota que derrota a maré

Envolta de água...

Somente.

Eu sei e para sempre chorarei.

Porquê?

Porque eu vivo assim...

Sozinho em mim.

Nesta rua

Tão quente da Lua.

E lá do alto cá para o Tejo

Vivo em sobressalto com esta sentença

Esta vontade que me atormenta...


Foste beijado pela solidão

Atacou-te a alma e o coração.

Vagabundo porque o sentes,

Olhas para o céu e nunca mentes

O teu fado assim ditou

O teu tormento. O meu lamento.

A tua fome nunca o pediu.

A roupa que te envolve tornou-se roliça.

A garrafa que te acompanha desbravou a tua sina

Que de vazia,

Sobrou apenas cortiça.

A tua vida,

Levada a cabo pelo sonho destroçado

Já nada conquista

Porque, por mero acaso decidiste

Nunca, jamais,

Voltar a ser amado.


Susana Rocha

9 comentários:

Escarlate disse...

Dedicada ao Pedro Mendonça pela amizade.
Dedicada ao Aramis pela ideia e por ser assim maluco.
Dedicada à Joana por todo o apoio.
Dedicada ao Tiago por ser um chato como crítico literário.
Dedicada ao Paolo por gostar do que escrevo apesar de esta minha "Primeira Vaga" não estar adaptada ao meu género.
Dedicada à Bruna pela crítica inicial.
Dedicada a todos vocês que a leram e que por isso perderam um pouquinho do vosso tempo com este devaneio.

Anónimo disse...

sem palavras...

Galvão Santos disse...

brutal!! :O

Anónimo disse...

Não passa da minha opinião mas acho que essa crítica inicial te levou a um texto/poema/letra mais livre, com muito mais impacto, muito mais... brutal!! Deixaste de te preocupar com rimas (que ficavam com um "ar" forçado) e escreveste o que te ia na alma, ficou mais puro de sentimento, mais real de conteúdo!!

Aquele beijinho kutchi ;)

Anónimo disse...

ahh e claro, obrigada pela dedicatória :)

Mirth disse...

WOW!! qué isso shuzana?! Pegando um pouco no que disse a lunni (que diga-se assim de passagem é uma miuda linda e maravilhosa!!), quando um texto sai sentido, sai de dentro sem preocupação se rima ou não, fica muito mais de acordo com o nosso estilo literário pessoal. As palavras ditas com o sentimento são obviamente palavras sentidas, nem todo o poema tem de rimar, pois quando nas palavras se nota alguma mensagem, cá dentro o nosso subconsciente faz com que tudo rime!

Anónimo disse...

e quando se pensava que nao poderia sair outro ainda melhor...

nunca deixas de nos surpreender.

keep it up!!!

Messias disse...

simplesmente...divinal! cutxi cutxi, afilhada linda! Deixa-me dizer que ja adivinhara este teu dom, e agora é dar-lhe asas... Bjs do padrinho****

Anónimo disse...

Perfeito não chega... ;)
adorei!!!

perdoa a falta d palavras... s bem k tu já dissest td o k era essencial =D

bjinho e obg!!!